Site Teia 2008
A TEIA é o maior evento cultural realizado pelo MINC. Nela, a difusão do maior programa para a política cultural do Brasil está estampado em todas as atividades, na vivência dos participantes, durante uma semana. O programa Cultura Viva que utiliza como estratégia de investimento o conceito dos Pontos de Cultura como focos de atuação do fazer cultural no Brasil, possibilitou a movimentação de um cenário cultural significativo, de diferentes segmentos artístico-culturais, além da interface com outras áreas do setor social, como o ministério do trabalho, através da Economia Solidária.
Este ano, a TEIA foi realizada em Brasília, na Esplanada. E lá tudo isso ficou mais claro. O processo de fomento primeiro, de descobrir quem são esses fazedores de cultura, potencializando o trabalho realizado por cada um deles através dos “pontinhos” de cultura. Depois, o “link”, a conexão entre esses produtores e germinadores do processo cultural, buscando amarrar cada vez mais a interação entre a cultura e outros setores sociais, com os pontões de rede cultural. E por fim, a qualificação desse processo, com editais dos pontões de gestão. O conceito do programa Cultura Viva, se faz no mínimo, amplamente elaborado e dedicado à uma construção de política pública pra cultura, descentralizada, desburocratizada e enraizada. O discurso da “quebra de protocolos” inclusive, era amplamente citado por dirigentes governamentais e da sociadade civil no evento.
Célio Turino foi didático num debate especial da programação para abordar somente o conceito, planos de trabalho, avaliação e futuro do programa Cultura Viva. Os Grupos de discussões (GT´S) que abrodavam desde o tema da Amazônia ao do audiovisual, demonstrou a pretensão de se exercitar no mínimo o conceito mais amplo da cultura no país. E apesar de ser notório que muitos fazedores culturais não estavam presentes, até mesmo por muitos ainda não serem oficialmente pontos de cultura pelo indicador do investimento, dali a sociedade civil representada pela cena cultural brasileira se aproximou mais ainda das diretrizes estatais do setor, numa espécie de gestão compartilhada. Prova disso é a concepção e a execução do evento ser dividida entre o MINC e os pontos de cultura do país.
O Fórum dos pontos de cultura, ou o Fórum Nacional da Cultura propiciou a integração de propostas e deliberações por diretrizes que são premissas dentro do Plano Nacional de Cultura e que já vem acontecendo em instâncias diferenciadas, em várias regiões brasileiras. Um exemplo é a construção da Lei Ruanet que está sendo ampliada e acessibilizada através dos meios digitais, provocando a maior participação social da história cultural brasileira de que tenho conhecimento.
Uma vez ouvi um tucano dizer que pelo menos na cultura, era a primeira vez que acontecia uma política de verdade. Ele falava do governo Lula mesmo sendo adversário político. Isso mostra que de fato, aconteceu alguma coisa no Brasil, no âmbito cultural e que essa mudança foi pra muito melhor. Os agentes culturais perceberam isso, na pele. A acessibilidade aos financiamentos e aos critérios de participação, a integração e a diretriz de se trafegar em rede pelo país, mostra que uma participação coletiva criou forma e que nasceu uma semente extremamente potencial para não deixar de germinar mais.
A TEIA não é o que representa tudo isso mas é uma vitrine que dá o esboço e os indicativos. Participar da TEIA acaba sendo refletir acerca desse universo do qual estamos inseridos, de maneira organizada, didática e interativa. É Perceber como as amarrações se constróem em um momento quase único onde os gestores públicos nacionais estão expostos à sociedade, prontos para as críticas, pressões e para a construção pesada de uma TEIA.
Foi importante perceber ainda, como o poder estatal está caminhando de acordo com as regras de Cuiabá por exemplo, onde o movimento cultural cresce cada vez mais no fomento à coletivos culturais (pontos de cultura). O Espaço Cubo é um dos maiores exemplos cuiabanos desse fomento pelo país através do Circuito Fora do Eixo - maior movimento cultural alternativo e independente brasileiro. Sem contar de sua atuação no poder público através do MISC criando pela primeira vez, uma gestão compartilhada.
Este ano, em Brasília, Ficou claro que todo esse movimento dos pontos de cultura tende a se multiplicar “involuntariamente” e que nós, os cidadãos comuns, estaremos todos envolvidos por uma “teia” que se move em rede por um bem comum cultural.
Lenissa Lenza
Espaço Cubo – MISC